Em um ambiente de negócios marcado por mudanças rápidas, exigências regulatórias complexas e judicialização elevada, a responsabilidade da alta...
Engenharia social e o impacto do fator humano na resiliência operacional
DATA: 11/02/2026
O Dia Mundial da Internet Segura (10/2) reforça um debate que tem ganhado cada vez mais relevância no ambiente corporativo: a cibersegurança deixou de ser um tema exclusivamente tecnológico para se tornar um elemento central da resiliência operacional das organizações. Nesse contexto, um dos principais vetores de risco continua sendo, paradoxalmente, o mais difícil de controlar por meio de soluções técnicas: o fator humano. É justamente nesse ponto que a engenharia social se consolida como uma das maiores ameaças à segurança da informação e à continuidade dos negócios.
A engenharia social reúne um conjunto de estratégias utilizadas por agentes maliciosos para manipular pessoas e induzi-las a executar ações que comprometem sistemas, dados e processos. Diferentemente de ataques puramente técnicos, essas abordagens exploram aspectos comportamentais como confiança, senso de urgência, medo, autoridade e familiaridade. Mesmo organizações com alto nível de maturidade tecnológica podem se tornar vulneráveis quando colaboradores, parceiros ou prestadores de serviço não estão preparados para reconhecer tentativas de manipulação. Um e-mail aparentemente legítimo, uma mensagem em aplicativos corporativos ou uma ligação convincente podem ser suficientes para abrir brechas significativas na segurança.
Nos últimos anos, ataques como phishing, spear phishing, smishing e vishing evoluíram em escala e sofisticação. Essa percepção é corroborada por dados recentes do SANS Institute. De acordo com o Security Awareness Report 2025, cerca de 80% das organizações ouvidas em uma pesquisa global classificam a engenharia social como o principal risco para a segurança digital.
Gestão de riscos: como lidar com um cenário de alta exposição?
Do ponto de vista da gestão de riscos, isso amplia o impacto potencial dos incidentes. As consequências extrapolam o ambiente digital e afetam diretamente a continuidade operacional, a reputação das empresas, o cumprimento de exigências regulatórias e a confiança de clientes, parceiros e investidores.
As discussões mais recentes sobre cibersegurança convergem para um ponto comum: a resiliência operacional se sustenta na integração entre tecnologia, processos e pessoas. A tecnologia fortalece as defesas; os processos garantem governança, resposta e recuperação; e as pessoas traduzem a estratégia de segurança em comportamento no dia a dia. Reconhecer o fator humano como um elo crítico não significa atribuir culpa, mas incorporar a conscientização como parte estruturante da gestão de riscos.
Programas contínuos de treinamento, campanhas educativas e simulações de ataques contribuem para reduzir a superfície de exposição e fortalecer a capacidade de resposta das organizações. Além disso, ambientes que incentivam a comunicação rápida de incidentes e tratam erros como oportunidades de aprendizado tendem a mitigar impactos e evitar a escalada de eventos críticos.
Mercado segurador: transferência de riscos para maior resiliência operacional
Mesmo com investimentos consistentes em tecnologia, processos e capacitação, o risco cibernético não é eliminado. Sempre haverá um risco residual associado à complexidade dos ambientes digitais e à imprevisibilidade do comportamento humano. É nesse ponto que a gestão financeira do risco ganha protagonismo.
O seguro cyber atua como uma camada essencial da resiliência operacional, oferecendo suporte financeiro para a resposta e a recuperação diante de incidentes originados, inclusive, por ataques de engenharia social. Mais do que uma proteção contra perdas, ele contribui para a continuidade dos negócios, a preservação da reputação e a estabilidade das operações em momentos críticos.
O Dia Mundial da Internet Segura é, portanto, um convite à reflexão para adoção de uma visão integrada, que vai além da prevenção técnica e considera pessoas, processos e mecanismos de transferência de risco.

*Marcelo Vitório é responsável pela Cibersegurança e Tecnologia da Informação na Horiens

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